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Classificação de Sakita: estágios da úlcera gástrica na endoscopia

A classificação de Sakita, também chamada de classificação de Sakita-Miwa, é uma forma endoscópica de descrever o estágio evolutivo de uma úlcera gástrica. Ela organiza a lesão em três grandes fases: ativa, cicatrização e cicatriz, subdivididas em seis estágios: A1, A2, H1, H2, S1 e S2.


Na prática, essa classificação ajuda o endoscopista a comunicar se a úlcera está em atividade, em processo de reparo ou já cicatrizada. Diferentemente da classificação de Forrest, que é usada para avaliar risco de sangramento e necessidade de hemostasia endoscópica, a classificação de Sakita descreve principalmente o ciclo evolutivo da úlcera.


A classificação de Forrest é a recomendada por diretrizes como a ESGE para estratificar estigmas de sangramento em úlcera péptica e orientar hemostasia endoscópica.


A classificação de Sakita tem origem histórica nos estudos endoscópicos japoneses sobre cicatrização e recorrência de ulcerações gástricas, incluindo trabalhos de Sakita e colaboradores sobre o “ciclo de vida” da úlcera maligna no câncer gástrico precoce.


Esse ponto é importante porque úlceras malignas podem aparentar cicatrização, o que reforça a necessidade de biópsia e seguimento adequado em úlceras gástricas.


Neste artigo, você vai entender:

  • O que é a classificação de Sakita;

  • Como diferenciar A1, A2, H1, H2, S1 e S2;

  • Como usar a classificação no laudo endoscópico;

  • A diferença entre Sakita e Forrest;

  • O que observar em úlceras gástricas com suspeita de malignidade;

  • Como pensar em biópsia, seguimento e cicatrização.


Mulher segurando as mãos sobre a barriga indicando sensação de dor.

O que é a classificação de Sakita?


A classificação de Sakita é uma classificação endoscópica usada para descrever o estágio de atividade e cicatrização de uma úlcera gástrica.


Ela divide a úlcera em três fases principais:

Fase

Estágios

Significado

Fase ativa

A1 e A2

Úlcera aberta, com atividade inflamatória e base ulcerada evidente

Fase de cicatrização

H1 e H2

Úlcera em reparo, com regeneração epitelial progressiva

Fase de cicatriz

S1 e S2

Úlcera cicatrizada, com cicatriz vermelha ou branca


O sistema Sakita-Miwa descreve a evolução endoscópica da úlcera em estágio ativo, estágio de cicatrização e estágio cicatricial, com as subdivisões Act-1, Act-2, Heal-1, Heal-2, Scar-1 e Scar-2, equivalentes a A1, A2, H1, H2, S1 e S2.


Classificação de Sakita resumida

Estágio

Fase

Achado principal

A1

Ativa

Úlcera ativa, edema importante, sem epitélio regenerativo

A2

Ativa

Edema menor, margem mais definida, início de regeneração

H1

Cicatrização

Fibrina mais fina, epitélio regenerativo avançando para a base

H2

Cicatrização

Defeito menor, maior parte da base coberta por epitélio regenerativo

S1

Cicatriz

Cicatriz vermelha, ainda com atividade inflamatória residual

S2

Cicatriz

Cicatriz branca, mais madura e estável


Fase ativa da classificação de Sakita


A fase ativa inclui os estágios A1 e A2. Nessa fase, a úlcera ainda está aberta e apresenta atividade inflamatória visível.



Sakita A1


O estágio A1 representa a úlcera em fase ativa inicial.

Na endoscopia, costuma haver:

  • Defeito ulcerado evidente;

  • Base recoberta por fibrina ou exsudato;

  • Edema importante da mucosa ao redor;

  • Margens inflamadas;

  • Ausência de epitélio regenerativo visível;

  • Aspecto mais “agudo” da lesão.


Na descrição clássica do estágio ativo inicial, a mucosa ao redor encontra-se edemaciada e não há epitélio regenerativo visível à endoscopia.



Como escrever no laudo


Exemplo:

Úlcera gástrica em antro, medindo aproximadamente 8 mm, com fundo fibrinoso, bordas edemaciadas e mucosa adjacente hiperemiada, compatível com Sakita A1. Realizadas biópsias de borda e fundo.


Sakita A2


O estágio A2 ainda pertence à fase ativa, mas indica início de organização da lesão.


Na endoscopia, pode haver:

  • Redução do edema ao redor;

  • Margens mais bem definidas;

  • Discreto epitélio regenerativo na borda;

  • Halo hiperemiado marginal;

  • Fundo ainda recoberto por fibrina;

  • Pregas convergindo até a margem da úlcera.


Na descrição Sakita-Miwa, o estágio A2 apresenta menor edema periférico, margem ulcerosa mais clara e pequena quantidade de epitélio regenerativo na borda; também podem ser vistos halo vermelho, círculo esbranquiçado de fibrina e pregas convergindo até a margem.



Como escrever no laudo


Exemplo:

Úlcera gástrica em incisura angularis, com fundo fibrinoso, bordas regulares, halo hiperemiado e discreto epitélio regenerativo periférico, compatível com Sakita A2. Biópsias realizadas.

Fase de cicatrização da classificação de Sakita


A fase de cicatrização inclui os estágios H1 e H2. A letra “H” vem de healing, ou seja, cicatrização.

Nessa fase, a úlcera ainda não está completamente fechada, mas já há sinais claros de reparo mucoso.



Sakita H1


O estágio H1 representa o início da fase de cicatrização.


Na endoscopia, pode haver:

  • Fibrina mais fina;

  • Epitélio regenerativo avançando sobre a base;

  • Margem ainda relativamente nítida;

  • Cratera ulcerosa ainda evidente;

  • Redução do tamanho do defeito;

  • Início de achatamento entre borda e fundo da úlcera.


Na classificação Sakita-Miwa, o estágio H1 é descrito como uma fase em que a cobertura esbranquiçada torna-se mais fina, o epitélio regenerativo se estende para a base da úlcera e o gradiente entre a margem e o assoalho começa a ficar mais plano.


Como escrever no laudo

Exemplo:

Úlcera gástrica em corpo distal, em fase de cicatrização, com redução da cratera, fibrina tênue e epitélio regenerativo em expansão, compatível com Sakita H1.


Sakita H2


O estágio H2 representa cicatrização mais avançada.


Na endoscopia, observa-se:

  • Defeito ulceroso menor;

  • Predomínio de epitélio regenerativo;

  • Fundo quase totalmente recoberto;

  • Menor quantidade de fibrina;

  • Pregas convergentes mais evidentes;

  • Cratera rasa ou quase desaparecida.


Na classificação Sakita-Miwa, o estágio H2 é caracterizado por defeito menor que em H1 e por epitélio regenerativo cobrindo a maior parte do assoalho da úlcera.



Como escrever no laudo

Exemplo:

Lesão ulcerada gástrica em cicatrização avançada, com pequeno defeito residual e epitélio regenerativo recobrindo a maior parte da base, compatível com Sakita H2.

Fase cicatricial da classificação de Sakita


A fase cicatricial inclui os estágios S1 e S2. Nessa etapa, a úlcera já fechou ou está praticamente fechada.


A principal diferença é que a cicatriz S1 ainda é avermelhada e inflamatória, enquanto a cicatriz S2 é branca, mais madura e estável.



Sakita S1


O estágio S1 representa a cicatriz vermelha.


Na endoscopia, pode haver:

  • Fechamento do defeito ulceroso;

  • Área cicatricial avermelhada;

  • Hiperemia residual;

  • Pregas convergentes;

  • Aspecto de cicatriz recente;

  • Possível retração local.


Essa fase indica que a úlcera cicatrizou, mas ainda há inflamação ou vascularização residual no local.



Como escrever no laudo

Exemplo:

Cicatriz ulcerosa avermelhada em antro, com convergência de pregas e discreta hiperemia residual, compatível com Sakita S1.


Sakita S2


O estágio S2 representa a cicatriz branca.

Na endoscopia, observa-se:

  • Cicatriz esbranquiçada;

  • Ausência de defeito ulceroso ativo;

  • Menor hiperemia;

  • Mucosa mais estável;

  • Retração variável;

  • Pregas convergentes residuais.


O estágio S2 costuma indicar cicatrização mais madura. Ainda assim, no contexto de úlcera gástrica, especialmente se houver aspecto suspeito ou biópsia prévia inadequada, a cicatriz pode precisar ser biopsiada ou acompanhada conforme o caso.


Como escrever no laudo

Exemplo:

Cicatriz ulcerosa esbranquiçada em pequena curvatura do antro, com discreta retração e convergência de pregas, compatível com Sakita S2.

Tabela completa da classificação de Sakita

Classificação

Fase

Descrição endoscópica

Interpretação prática

A1

Ativa

Edema importante, cratera evidente, fibrina/exsudato, sem epitélio regenerativo

Úlcera ativa inicial

A2

Ativa

Menor edema, margem definida, halo hiperemiado, início de epitélio regenerativo

Úlcera ativa em início de reparo

H1

Cicatrização

Fibrina mais fina, epitélio avançando, cratera ainda evidente

Cicatrização inicial

H2

Cicatrização

Defeito menor, maior parte da base recoberta por epitélio

Cicatrização avançada

S1

Cicatriz

Cicatriz vermelha, hiperemia residual

Cicatriz recente

S2

Cicatriz

Cicatriz branca, retração variável

Cicatriz madura


Sakita A1 x A2: qual a diferença?


A principal diferença entre A1 e A2 é o grau de atividade inflamatória e o início da regeneração epitelial.


No A1, a úlcera está mais ativa, com edema importante e sem epitélio regenerativo. No A2, a inflamação ao redor começa a diminuir, as margens ficam mais definidas e já pode haver discreto epitélio regenerativo na borda.


De forma prática:

Estágio

Como lembrar

A1

Úlcera ativa “crua”, edemaciada, sem regeneração

A2

Ainda ativa, mas começando a organizar e regenerar


Sakita H1 x H2: qual a diferença?


A diferença entre H1 e H2 está no avanço da cicatrização.


No H1, a cratera ainda é evidente, mas a fibrina fica mais fina e o epitélio começa a avançar sobre a base. No H2, o defeito é menor e a maior parte da base já está coberta por epitélio regenerativo.


De forma prática:

Estágio

Como lembrar

H1

Cicatrizando, mas ainda com cratera visível

H2

Cicatrização avançada, defeito pequeno


Sakita S1 x S2: qual a diferença?


A diferença entre S1 e S2 está na maturidade da cicatriz.

No S1, a cicatriz é vermelha, recente e ainda com reação inflamatória residual. No S2, a cicatriz é branca, mais madura e com menor atividade inflamatória.


De forma prática:

Estágio

Como lembrar

S1

Cicatriz vermelha

S2

Cicatriz branca


Classificação de Sakita x Classificação de Forrest


Essa é uma das confusões mais importantes.


A classificação de Sakita descreve o estágio evolutivo da úlcera: ativa, cicatrizando ou cicatrizada.


A classificação de Forrest descreve estigmas de sangramento e risco de ressangramento em úlcera péptica hemorrágica. Ela orienta conduta endoscópica em sangramento digestivo alto não varicoso.

Característica

Sakita

Forrest

Objetivo

Descrever fase evolutiva da úlcera

Estratificar risco de sangramento/ressangramento

Uso principal

Seguimento e descrição da cicatrização

Sangramento digestivo alto por úlcera

Categorias

A1, A2, H1, H2, S1, S2

Ia, Ib, IIa, IIb, IIc, III

Define hemostasia?

Não

Sim, em vários casos

Exemplo

Úlcera Sakita A2

Úlcera Forrest IIa


A ESGE recomenda o uso da classificação de Forrest em úlceras pépticas hemorrágicas para diferenciar estigmas de alto e baixo risco; Forrest Ia, Ib e IIa devem receber hemostasia endoscópica, enquanto Forrest IIc e III não costumam requerer hemostasia endoscópica.


Portanto, uma úlcera pode ser descrita com as duas classificações quando necessário.


Exemplo:

Úlcera gástrica ativa em antro, Sakita A1, com vaso visível não sangrante, Forrest IIa.

Nesse exemplo, Sakita A1 descreve a fase da úlcera, enquanto Forrest IIa descreve o risco de sangramento e orienta tratamento endoscópico.



Por que a classificação de Sakita é importante?


A classificação de Sakita é útil por quatro motivos principais.


1. Padroniza a descrição endoscópica

Em vez de escrever apenas “úlcera gástrica”, o endoscopista pode indicar se a lesão está ativa, cicatrizando ou cicatrizada.


Isso melhora a comunicação entre:

  • Endoscopista;

  • Gastroenterologista;

  • Cirurgião;

  • Clínico;

  • Médico assistente;

  • Médico da emergência;

  • Médico da atenção primária.



2. Ajuda no seguimento da cicatrização


Uma úlcera inicialmente descrita como Sakita A1 ou A2 deve, após tratamento adequado, evoluir para H1/H2 e posteriormente para S1/S2.


Exemplo de evolução esperada:

Momento

Achado possível

Endoscopia inicial

Sakita A1 ou A2

Controle após tratamento

Sakita H1 ou H2

Controle tardio

Sakita S1 ou S2


Essa evolução sugere resposta ao tratamento, embora a cicatrização endoscópica não exclua, sozinha, necessidade de biópsia adequada ou avaliação de malignidade em casos suspeitos.


3. Evita confusão com úlcera sangrante


Uma úlcera em Sakita A1 pode ou não estar sangrando.

Da mesma forma, uma úlcera em cicatrização pode ter ou não estigmas de sangramento recente.


Por isso, em casos de sangramento digestivo alto, a classificação de Sakita não substitui a classificação de Forrest.



4. Lembra que úlcera gástrica pode simular câncer — e câncer pode simular úlcera benigna


Esse é um ponto fundamental.

Sakita e colaboradores observaram cicatrização significativa em parte das úlceras malignas associadas ao câncer gástrico precoce, reforçando que a cicatrização aparente não é suficiente para excluir malignidade quando a avaliação inicial é inadequada ou suspeita.


Estudos posteriores também reforçam a importância de biópsia em úlcera gástrica. Uma coorte com 432 pacientes encontrou displasia ou neoplasia em 27 casos, com rendimento global de malignidade de 6%; os autores destacaram a necessidade de biópsia de todas as úlceras gástricas.



Úlcera gástrica precisa de biópsia?


Em geral, sim: úlcera gástrica deve ser biopsiada, especialmente quando é nova, tem aspecto suspeito ou não há documentação prévia de benignidade.


O motivo é simples: câncer gástrico pode se apresentar como lesão ulcerada, e algumas úlceras malignas podem ter aparência parcialmente benigna ou até cicatrizar temporariamente.


A literatura mostra que úlceras gástricas podem ter rendimento de malignidade relevante, com estudos encontrando neoplasia em cerca de 6% a 7% dos casos de novas úlceras gástricas.


Na prática, a decisão sobre quantidade, local e necessidade de nova biópsia depende do aspecto endoscópico, contexto clínico, risco de sangramento, uso de anticoagulantes, suspeita de malignidade e resultado histológico inicial.



Quando repetir endoscopia em úlcera gástrica?


O seguimento endoscópico de úlcera gástrica varia conforme o contexto, mas costuma ser considerado para confirmar cicatrização e excluir malignidade, principalmente se:

  • A úlcera tinha aspecto suspeito;

  • As biópsias foram insuficientes;

  • Não foram feitas biópsias no exame inicial;

  • A úlcera era grande;

  • Havia bordas elevadas ou irregulares;

  • Havia perda ponderal, anemia ou sinais de alarme;

  • O paciente tem idade avançada ou maior risco de câncer gástrico;

  • A úlcera não cicatriza após tratamento adequado.


Uma orientação recente de consenso britânico recomenda que, quando uma úlcera gástrica ou esofágica não puder ser biopsiada por risco de sangramento ou necessidade de terapia endoscópica, seja realizada endoscopia precoce em até 2 semanas para evitar atraso no diagnóstico de câncer.


O mesmo documento recomenda biópsia de cicatriz ulcerosa quando presente no seguimento, pois cicatrizes elevadas podem ser difíceis de diferenciar de câncer gástrico precoce.



Causas comuns de úlcera gástrica


A classificação de Sakita descreve o estágio da úlcera, mas não define sua causa.


As principais causas de úlcera gástrica incluem:

  • Infecção por Helicobacter pylori;

  • Uso de anti-inflamatórios não esteroidais;

  • Ácido gástrico e falha de mecanismos de proteção da mucosa;

  • Tabagismo;

  • Isquemia;

  • Estresse fisiológico grave;

  • Doenças infiltrativas;

  • Neoplasia gástrica;

  • Síndrome de Zollinger-Ellison, em casos selecionados.


O StatPearls descreve H. pylori e perda de prostaglandinas associada a anti-inflamatórios não esteroidais como causas comuns de úlcera gástrica, além de etiologias menos comuns como hipergastrinemia, CMV, quimioterapia, radioterapia, obstrução de saída gástrica, doenças infiltrativas e malignidade.


A diretriz do American College of Gastroenterology de 2024 também reforça que H. pylori é uma infecção associada a dispepsia, doença ulcerosa péptica e câncer gástrico.



Como usar a classificação de Sakita no laudo endoscópico?


Um bom laudo não deve trazer apenas “Sakita A1” ou “Sakita H2” de forma isolada. O ideal é descrever também:

  • Localização;

  • Tamanho aproximado;

  • Número de úlceras;

  • Fundo da lesão;

  • Bordas;

  • Mucosa adjacente;

  • Presença de fibrina;

  • Sinais de sangramento;

  • Estigmas de sangramento pela classificação de Forrest, se houver;

  • Se foram feitas biópsias;

  • Se foi pesquisado H. pylori;

  • Conduta sugerida ou recomendação de controle, quando aplicável.



Exemplos práticos de laudo usando Sakita


Exemplo 1 — Úlcera ativa sem sangramento

Antro gástrico com úlcera medindo cerca de 10 mm, fundo fibrinoso, bordas edemaciadas e halo hiperemiado, sem sangramento ativo ou vaso visível. Aspecto compatível com úlcera gástrica Sakita A1. Realizadas biópsias de borda e fundo.

Exemplo 2 — Úlcera ativa com início de reparo

Pequena curvatura do corpo gástrico com úlcera de 8 mm, fundo fibrinoso, margens regulares e discreto epitélio regenerativo periférico, compatível com Sakita A2. Sem estigmas de sangramento recente. Biópsias realizadas.

Exemplo 3 — Úlcera em cicatrização

Incisura angularis com lesão ulcerada em cicatrização, cratera rasa, fibrina tênue e epitélio regenerativo recobrindo parcialmente a base, compatível com Sakita H1.

Exemplo 4 — Cicatriz ulcerosa

Antro distal com cicatriz ulcerosa esbranquiçada, retração discreta e convergência de pregas, compatível com Sakita S2. Realizadas biópsias da cicatriz conforme contexto clínico.

Exemplo 5 — Úlcera ativa sangrante

Úlcera gástrica em corpo proximal, com fundo fibrinoso e bordas edemaciadas, compatível com Sakita A1, apresentando vaso visível não sangrante, Forrest IIa. Realizada hemostasia endoscópica.

Como memorizar a classificação de Sakita?


Uma forma simples é lembrar:

A = Active = ativa

H = Healing = cicatrização

S = Scar = cicatriz


E os números indicam progressão dentro da fase:

  • 1 = fase mais inicial;

  • 2 = fase mais avançada.


Assim:

Código

Como memorizar

A1

Ativa inicial

A2

Ativa, mas começando a organizar

H1

Cicatrização inicial

H2

Cicatrização avançada

S1

Cicatriz vermelha

S2

Cicatriz branca


Fluxo prático diante de uma úlcera gástrica na endoscopia


Diante de uma úlcera gástrica, a classificação de Sakita é apenas uma parte da avaliação.


Um raciocínio prático seria:

  1. Confirmar se é úlcera gástrica verdadeira;

  2. Descrever localização, tamanho e número de lesões;

  3. Classificar pela Sakita;

  4. Avaliar estigmas de sangramento pela Forrest, se houver sangramento ou sinais recentes;

  5. Biopsiar a úlcera, se clinicamente seguro;

  6. Pesquisar ou tratar H. pylori conforme contexto;

  7. Revisar uso de AINEs, AAS, anticoagulantes e antiagregantes;

  8. Avaliar sinais de alarme;

  9. Programar controle endoscópico quando indicado;

  10. Confirmar cicatrização e excluir malignidade em casos selecionados.



Quais achados sugerem úlcera gástrica suspeita?


Alguns achados aumentam a preocupação com malignidade e devem motivar maior cuidado, biópsias adequadas e seguimento.


Sinais de alerta incluem:

  • Bordas elevadas ou irregulares;

  • Fundo necrótico ou heterogêneo;

  • Pregas interrompidas ou fusionadas;

  • Rigidez local;

  • Lesão infiltrativa;

  • Sangramento fácil ao toque;

  • Massa associada;

  • Úlcera grande;

  • Não cicatrização após tratamento;

  • Recorrência no mesmo local;

  • Anemia, perda ponderal ou vômitos persistentes;

  • Idade avançada;

  • História familiar ou fatores de risco para câncer gástrico.


A preocupação com malignidade é justificada porque estudos de úlceras gástricas novas encontraram taxa de neoplasia em torno de 6% a 7%, com a maioria dos cânceres identificados na endoscopia inicial por biópsia, mas alguns diagnosticados apenas no seguimento.



Classificação de Sakita serve para úlcera duodenal?


A classificação é mais tradicionalmente associada à descrição evolutiva de úlceras gástricas, mas na prática endoscópica algumas descrições aplicam lógica semelhante para úlceras pépticas em geral.


No entanto, o tema clássico e mais cobrado é a úlcera gástrica.



Para úlcera duodenal sangrante, a classificação que muda conduta imediata é a Forrest, especialmente em contexto de hemorragia digestiva alta.



Classificação de Sakita define tratamento?


Não diretamente.


A classificação de Sakita ajuda a descrever o estágio da úlcera, mas o tratamento depende de fatores como:

  • Etiologia provável;

  • Presença de H. pylori;

  • Uso de AINEs;

  • Presença de sangramento;

  • Risco de malignidade;

  • Resultado das biópsias;

  • Sintomas;

  • Comorbidades;

  • Uso de anticoagulantes ou antiagregantes;

  • Resposta ao tratamento;

  • Cicatrização no seguimento.


Em geral, o tratamento pode envolver inibidor de bomba de prótons, erradicação de H. pylori quando presente, suspensão ou ajuste de AINEs quando possível, hemostasia endoscópica em casos selecionados e seguimento endoscópico conforme risco.


ACG 2024 reforça o papel clínico de H. pylori na doença ulcerosa péptica, enquanto diretrizes de hemorragia digestiva alta orientam hemostasia conforme estigmas de Forrest.



Resumo para prova e prática clínica


A classificação de Sakita divide a evolução da úlcera gástrica em três fases:

  • A — ativa: A1 e A2;

  • H — healing/cicatrização: H1 e H2;

  • S — scar/cicatriz: S1 e S2.


A1 é a úlcera ativa inicial, com edema importante e sem epitélio regenerativo. A2 ainda é ativa, mas já mostra menor edema e início de regeneração.


H1 indica cicatrização inicial, com fibrina mais fina e epitélio avançando. H2 indica cicatrização avançada, com defeito menor e maior cobertura epitelial. S1 é cicatriz vermelha e S2 é cicatriz branca.


A classificação de Sakita não substitui Forrest. Sakita descreve a fase da úlcera; Forrest orienta risco de sangramento e necessidade de hemostasia.



Perguntas frequentes sobre a classificação de Sakita


O que é a classificação de Sakita?

É uma classificação endoscópica usada para descrever o estágio evolutivo de uma úlcera gástrica: ativa, em cicatrização ou cicatrizada.


Quais são os estágios da classificação de Sakita?

Os estágios são A1, A2, H1, H2, S1 e S2.


O que significa Sakita A1?

Sakita A1 indica úlcera ativa inicial, com edema importante, fundo ulcerado evidente e ausência de epitélio regenerativo visível.


O que significa Sakita A2?

Sakita A2 indica úlcera ainda ativa, mas com menor edema, margens mais definidas e início de epitélio regenerativo.


O que significa Sakita H1?

Sakita H1 indica cicatrização inicial, com fibrina mais fina e epitélio regenerativo começando a avançar sobre a base da úlcera.


O que significa Sakita H2?

Sakita H2 indica cicatrização avançada, com defeito menor e maior parte do fundo recoberta por epitélio regenerativo.


O que significa Sakita S1?

Sakita S1 indica cicatriz vermelha, geralmente mais recente, com hiperemia ou inflamação residual.


O que significa Sakita S2?

Sakita S2 indica cicatriz branca, mais madura e estável.


Qual a diferença entre Sakita e Forrest?

Sakita descreve o estágio de atividade/cicatrização da úlcera. Forrest descreve estigmas de sangramento e risco de ressangramento, sendo usada para orientar hemostasia endoscópica em úlcera sangrante.


Úlcera gástrica cicatrizada exclui câncer?

Não necessariamente. Algumas úlceras malignas podem apresentar cicatrização parcial ou temporária. Por isso, biópsia adequada e seguimento são importantes quando há suspeita ou quando a avaliação inicial foi insuficiente.


A classificação de Sakita é uma ferramenta útil para descrever a evolução endoscópica da úlcera gástrica. Ela organiza a lesão em seis estágios — A1, A2, H1, H2, S1 e S2 — que representam a passagem da fase ativa para a cicatrização e, por fim, para a formação de cicatriz.


Na prática, a classificação melhora a comunicação no laudo endoscópico e ajuda a acompanhar a resposta ao tratamento. Porém, ela não deve ser usada isoladamente para decidir condutas em sangramento, pois esse papel pertence à classificação de Forrest.


Também é fundamental lembrar que úlcera gástrica exige cuidado diagnóstico. A aparência endoscópica e a cicatrização não excluem malignidade em todos os casos. Por isso, a avaliação deve considerar biópsias, pesquisa de H. pylori, uso de AINEs, sinais de alarme, aspecto da lesão e necessidade de controle endoscópico.


Referências:

  1. Sakita T, Oguro Y, Takasu S, Fukutomi H, Miwa T. Observations on the Healing of Ulcerations in Early Gastric Cancer: The life cycle of the malignant ulcer. Gastroenterology. 1971.

  2. Lee SH, et al. Endoscopic application of mussel-inspired phenolic chitosan as a hemostatic agent for gastrointestinal bleeding: a preclinical study in a heparinized pig model. Tabela com classificação Sakita-Miwa.

  3. European Society of Gastrointestinal Endoscopy. Diagnosis and management of nonvariceal upper gastrointestinal hemorrhage: ESGE Guideline.

  4. Selinger CP, et al. Gastric ulcers: malignancy yield and risk stratification for follow-up endoscopy.

  5. Chey WD, et al. ACG Clinical Guideline: Treatment of Helicobacter pylori Infection. American Journal of Gastroenterology. 2024.

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