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Toda semana eu mando uma referência clínica pronta pra usar — uma tabela, uma escala ou um cálculo, direto no celular. Sem teoria demais, apenas o que funciona — e que usamos rotineiramente no plantão. Direto ao ponto.

IA na prática médica: o que o CFM exige em 2026 e o que aprendi construindo uma IA clínica

há 17 horas
3 min de leitura

Colega, uma carta curta antes do conteúdo. Eu escrevo aqui desde que o Ei, Doc! existe, quase sempre sobre exame, escala e presença digital. Hoje escrevo sobre uma coisa que mudou a regra do jogo para quem usa IA no consultório: a Resolução CFM nº 2.454/2026 já está em vigor, desde 26 de agosto. E escrevo porque, ao construir uma IA clínica, o Douto, fui obrigado a ler a norma linha a linha.

Índice rápido

  1. O que a Resolução CFM 2.454/2026 pede de quem usa IA?

  2. Que dados do paciente posso digitar numa IA?

  3. O que aprendi construindo uma IA clínica?

  4. Quando NÃO usar IA na conduta?

  5. Como testar o Douto?

  6. Perguntas frequentes

Resposta rápida

A Resolução CFM 2.454/2026, em vigor desde 26 de agosto de 2026, manda usar a IA só como apoio, manter-se como responsável final, exercer julgamento crítico, usar sistemas que atendam às normas vigentes no país e registrar no prontuário o uso de IA como apoio à decisão (art. 4º). O paciente deve ser informado quando a IA for apoio relevante ao cuidado (art. 5º, § 1º).

O que a Resolução CFM 2.454/2026 pede de quem usa IA?

Em resumo, cinco deveres (art. 4º): usar a IA só como apoio, continuar sendo o responsável final, exercer julgamento crítico sobre a resposta, usar apenas sistemas que atendam às normas vigentes no país e registrar no prontuário o uso de IA como apoio à decisão. O paciente tem direito de ser informado quando a IA for apoio relevante ao cuidado (art. 5º, § 1º), e o médico não pode delegar à IA a comunicação de diagnóstico, prognóstico ou decisão terapêutica (art. 5º, § 2º).

Há também uma boa notícia: nenhum médico será penalizado por não seguir a orientação de uma IA, desde que atue conforme os preceitos técnicos e éticos (art. 19, § 1º). O texto completo e as regras práticas que tirei dele estão em IA na prática médica: o que o CFM exige e 5 regras. Não é parecer jurídico; é uma leitura de colega.

Que dados do paciente posso digitar numa IA?

Os que forem estritamente necessários (art. 6º, § 1º), e a LGPD já trata dado de saúde como dado pessoal sensível. Na prática: idade, sexo, queixa, comorbidades e medicamentos em uso bastam para uma dúvida de conduta. Nome, documento, data de nascimento completa e foto, não.

O que aprendi construindo uma IA clínica?

Três coisas que valem para qualquer IA, inclusive a que você já usa:

  1. A fonte é o produto. Resposta bem escrita e sem fonte é a mais difícil de conferir. O Douto cita a fonte oficial brasileira de cada resposta e mostra um selo do nível de curadoria.

  2. Admitir o que não sabe é um recurso. Ao revisar 58 cartões de dose, em 48 nenhuma das fontes que consultamos trazia o limite diário em mg. Uma IA que completa esse espaço de memória parece mais útil e é mais perigosa. O Douto escreve "a fonte não informa".

  3. Teste com um caso seu. Peça a conduta, abra a fonte e depois pergunte algo que a bula não traz. A diferença entre as ferramentas aparece em dois minutos.

Se você quer ir além, veja também o nosso guia prático de ChatGPT na prática médica e os 10 melhores prompts de ChatGPT para médicos: servem para texto, e para conduta a regra é pedir a fonte.

Quando NÃO usar IA na conduta?

Quando há protocolo institucional estabelecido para a situação, como o do seu pronto-socorro ou o da sua UTI, o protocolo vale. A IA entra para o que o protocolo não resolve ou para localizar o trecho certo dele. E nunca para comunicar diagnóstico ao paciente.

Como testar o Douto?

Descreva um caso real, sem nome nem documento. O primeiro é grátis e não pede cartão. Abre no navegador: douto.app. Se quiser entender melhor o que procurar numa IA antes de escolher, comece por IA para médicos: o que é IA clínica e como escolher.

Declaro o conflito: sou o fundador do Douto. Use o roteiro acima com ele também.

Um abraço, Dr. Carlos Eduardo Miranda Bruzzi Felipe · Médico · CRM/MG 105.721

Perguntas frequentes

O médico precisa registrar o uso de IA no prontuário?

Sim. O art. 4º, V da Resolução CFM 2.454/2026 determina registrar no prontuário o uso de IA como apoio à decisão médica.

A resolução já está em vigor?

Sim. Publicada em 27/02/2026, a norma entra em vigor após 180 dias (art. 23), ou seja, em 26/08/2026.

Posso ser punido por não seguir a IA?

Não, desde que atue conforme os preceitos técnicos e éticos (art. 19, § 1º). A decisão é sempre do médico.

Referências

  1. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.454, de 11 de fevereiro de 2026. Texto integral

  2. Brasil. Lei nº 13.709/2018 (LGPD), art. 5º, II. Planalto

Autor: Dr. Carlos Eduardo Miranda Bruzzi Felipe · CRM/MG 105.721 · O autor é fundador do Douto, produto citado.

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