Comprimento do Fêmur Fetal (CF) no ultrassom: tabela por semana, valores normais e fêmur curto
- Carlos Felipe

- 15 de jan. de 2025
- 13 min de leitura
Atualizado: 28 de abr.
O comprimento do fêmur fetal, também chamado de CF ou FL (femur length), é uma das principais medidas da biometria fetal no ultrassom obstétrico. Ele avalia o comprimento da diáfise do fêmur, o maior osso da coxa do bebê, e ajuda a estimar a idade gestacional, acompanhar o crescimento fetal e compor fórmulas de peso fetal estimado.
No laudo de ultrassom, o comprimento do fêmur costuma aparecer junto de outras medidas, como DBP (diâmetro biparietal), CC (circunferência cefálica), CA (circunferência abdominal) e PFE (peso fetal estimado). A ISUOG descreve DBP, CC, CA e comprimento da diáfise femoral como os parâmetros biométricos fetais mais usados na avaliação ultrassonográfica do crescimento.
Na prática, o CF não deve ser interpretado isoladamente. Um fêmur discretamente menor pode ser apenas uma variação constitucional, especialmente se os pais forem baixos e as demais medidas estiverem proporcionais.
Por outro lado, um fêmur muito abaixo do esperado, principalmente quando associado a outras alterações, pode sugerir restrição de crescimento fetal, erro de datação, aneuploidias, displasias esqueléticas ou outras condições que exigem avaliação especializada.
Neste artigo, você vai entender:
O que é o comprimento do fêmur fetal;
Como o CF é medido no ultrassom;
Tabela de comprimento do fêmur por semana;
O que significa fêmur curto no ultrassom;
Quando o achado preocupa;
Como interpretar CF junto das outras medidas fetais;
Quais condutas considerar na prática clínica.
O comprimento do fêmur (CF) é uma das medições ultrassonográficas mais importantes no acompanhamento do crescimento fetal. Essa medida, que avalia o maior osso do corpo humano, fornece informações valiosas sobre o desenvolvimento esquelético do feto e é amplamente utilizada para estimar a idade gestacional e o peso fetal.
Neste post, abordaremos tudo sobre o comprimento do fêmur: como é medido, sua importância clínica, os valores de referência, suas limitações e aplicações na prática obstétrica moderna.
O que é o Comprimento do Fêmur Fetal?
O comprimento do fêmur fetal é a medida linear do osso da coxa do bebê, avaliada durante a ultrassonografia obstétrica. No laudo, essa medida pode aparecer como:
CF: comprimento do fêmur;
FL: femur length;
Fêmur;
Comprimento femoral.
O fêmur é um osso longo e seu crescimento acompanha, de maneira geral, a evolução da idade gestacional. Por isso, o CF é usado como parte da avaliação biométrica fetal.
Entretanto, o comprimento do fêmur não é o mesmo que o tamanho total do bebê. Ele é apenas uma das medidas usadas para avaliar crescimento, proporcionalidade corporal e estimativa de peso fetal.
Para que serve o comprimento do fêmur no ultrassom?
O comprimento do fêmur fetal tem quatro funções principais:
1. Ajudar na estimativa da idade gestacional
Quando a gestante não tem uma datação confiável no primeiro trimestre, a biometria fetal pode ajudar a estimar a idade gestacional. O ideal, porém, é que a gestação seja datada precocemente por ultrassom de primeiro trimestre, especialmente pela medida do comprimento cabeça-nádega — CCN ou CRL.
A ISUOG reforça que, quando a data provável do parto já foi definida por ultrassom precoce confiável, exames posteriores não devem ser usados para recalcular a idade gestacional.
Entre 14 e 24 semanas, o comprimento do fêmur pode ajudar na datação, geralmente em conjunto com a circunferência cefálica. Após 24 semanas, a biometria deve ser usada principalmente para avaliar tamanho e crescimento fetal, e não para “redatar” a gestação.
2. Avaliar crescimento fetal
O CF é uma das medidas que ajudam a entender se o bebê está crescendo de forma adequada. Ele deve ser interpretado junto com:
Circunferência abdominal;
Circunferência cefálica;
Diâmetro biparietal;
Peso fetal estimado;
Líquido amniótico;
Doppler obstétrico, quando indicado;
Curva de crescimento fetal ao longo do tempo.
A avaliação de crescimento não depende de uma única medida isolada. A ISUOG destaca que crescimento fetal é um processo dinâmico e requer comparação entre exames separados no tempo, além de correlação com líquido amniótico, Doppler e contexto materno-fetal.
3. Compor fórmulas de peso fetal estimado
O comprimento do fêmur entra em diversas fórmulas usadas para estimar o peso fetal, como algumas fórmulas de Hadlock. O projeto INTERGROWTH-21st também disponibiliza tabelas, gráficos e calculadoras para biometria fetal, incluindo comprimento do fêmur, circunferência cefálica, diâmetro biparietal e circunferência abdominal.
4. Sugerir alterações quando muito abaixo do esperado
Quando o fêmur está significativamente curto para a idade gestacional, o achado pode estar associado a:
Variação constitucional;
Erro de datação;
Restrição de crescimento fetal;
Aneuploidias;
Displasias esqueléticas;
Infecções ou doenças fetais, dependendo do contexto;
Síndromes genéticas, quando associado a outras alterações.
O ponto mais importante é: fêmur curto isolado não fecha diagnóstico. Ele é um sinal que precisa ser interpretado dentro do conjunto do exame.
Como o comprimento do fêmur é medido?
A medida correta do fêmur exige plano adequado, boa imagem e posicionamento preciso dos cálipers.
De forma prática, o ultrassonografista deve:
Visualizar o fêmur em seu maior eixo;
Garantir que ambas as extremidades ossificadas estejam bem definidas;
Medir apenas a diáfise ossificada;
Não incluir epífise distal, se visível;
Evitar incluir artefatos;
Ajustar o ângulo conforme a técnica da curva de referência utilizada.
O material de treinamento da ISUOG orienta que, para medir corretamente o comprimento do fêmur, as duas extremidades da metáfise ossificada devem estar visíveis, o maior eixo deve ser medido, a epífise distal ou artefatos não devem ser incluídos e o ângulo do fêmur deve corresponder à técnica da curva de referência.
Pequenas diferenças de posicionamento podem alterar alguns milímetros da medida. Por isso, uma medida discretamente alterada deve ser confirmada em imagem adequada e, muitas vezes, acompanhada em exame evolutivo.

Tabela de comprimento do fêmur fetal por semana
A tabela abaixo mostra valores aproximados do comprimento do fêmur fetal, em milímetros, com base nos padrões internacionais INTERGROWTH-21st. A tabela apresenta os percentis 10, 50 e 90 entre 14 e 40 semanas.
Idade gestacional | P10 | P50 | P90 |
14 semanas | 11,17 mm | 13,11 mm | 15,05 mm |
15 semanas | 14,32 mm | 16,33 mm | 18,34 mm |
16 semanas | 17,41 mm | 19,47 mm | 21,54 mm |
17 semanas | 20,42 mm | 22,54 mm | 24,66 mm |
18 semanas | 23,36 mm | 25,53 mm | 27,71 mm |
19 semanas | 26,23 mm | 28,45 mm | 30,68 mm |
20 semanas | 29,02 mm | 31,29 mm | 33,56 mm |
21 semanas | 31,73 mm | 34,06 mm | 36,38 mm |
22 semanas | 34,37 mm | 36,74 mm | 39,12 mm |
23 semanas | 36,93 mm | 39,36 mm | 41,78 mm |
24 semanas | 39,42 mm | 41,89 mm | 44,37 mm |
25 semanas | 41,82 mm | 44,35 mm | 46,88 mm |
26 semanas | 44,15 mm | 46,74 mm | 49,33 mm |
27 semanas | 46,39 mm | 49,05 mm | 51,70 mm |
28 semanas | 48,56 mm | 51,28 mm | 54,00 mm |
29 semanas | 50,64 mm | 53,43 mm | 56,23 mm |
30 semanas | 52,64 mm | 55,51 mm | 58,38 mm |
31 semanas | 54,57 mm | 57,52 mm | 60,47 mm |
32 semanas | 56,40 mm | 59,45 mm | 62,49 mm |
33 semanas | 58,16 mm | 61,30 mm | 64,44 mm |
34 semanas | 59,83 mm | 63,07 mm | 66,32 mm |
35 semanas | 61,41 mm | 64,77 mm | 68,13 mm |
36 semanas | 62,91 mm | 66,40 mm | 69,88 mm |
37 semanas | 64,32 mm | 67,95 mm | 71,57 mm |
38 semanas | 65,65 mm | 69,42 mm | 73,19 mm |
39 semanas | 66,88 mm | 70,81 mm | 74,75 mm |
40 semanas | 68,02 mm | 72,13 mm | 76,24 mm |
Esses valores não substituem a interpretação do laudo médico. Cada serviço pode utilizar curvas específicas, e o mais importante é saber em qual percentil a medida se encontra e se há concordância com as demais medidas fetais.
Como interpretar a tabela do comprimento do fêmur?
De forma simplificada:
Entre P10 e P90: geralmente dentro da faixa esperada;
Abaixo do P10: merece correlação com as demais medidas;
Abaixo do P5 ou muito discrepante: aumenta a necessidade de avaliação detalhada;
Queda progressiva de percentil: pode ser mais relevante do que uma medida isolada;
Fêmur curto com outras alterações: exige investigação mais cuidadosa.
Uma armadilha comum é interpretar o CF isoladamente. Um fêmur no P8, por exemplo, pode ter significados muito diferentes em dois cenários:
Cenário | Interpretação provável |
Fêmur P8, demais medidas proporcionais, pais baixos, Doppler normal | Pode ser variação constitucional |
Fêmur P8, circunferência abdominal baixa, PFE baixo, Doppler alterado | Pensar em restrição de crescimento fetal |
Fêmur muito curto, ossos longos encurtados, tórax pequeno ou fraturas | Investigar displasia esquelética |
Fêmur curto associado a marcadores ultrassonográficos | Considerar risco genético conforme contexto |
Importância clínica do comprimento do fêmur
1. Estimativa da Idade Gestacional
O comprimento do fêmur é altamente confiável para estimar a idade gestacional, especialmente no segundo trimestre, quando o crescimento longitudinal do feto segue um padrão previsível.
2. Monitoramento do Crescimento Fetal
O CF é um parâmetro essencial para avaliar o crescimento fetal. Em casos de crescimento intrauterino restrito (CIUR) ou macrossomia, o CF pode ajudar a identificar desvios significativos no desenvolvimento esquelético.
3. Detecção de Anomalias Esqueléticas
Alterações no CF podem ser indicativas de condições como:
Displasias esqueléticas: Condições genéticas que afetam o desenvolvimento ósseo, como acondroplasia.
Nanismo tanatofórico: Uma condição letal associada ao encurtamento significativo do fêmur.
4. Componente de Estimativa do Peso Fetal (PFE)
O CF é um dos parâmetros utilizados em fórmulas como as de Hadlock e Chitty para estimar o peso fetal.
Aplicações clínicas do comprimento do fêmur
Identificação de restrição de Crescimento Fetal
Um CF abaixo do percentil 10 para a idade gestacional pode ser um marcador de CIUR.
Avaliação de gestações de risco
Gestantes com doenças como diabetes mellitus gestacional (DMG) ou hipertensão têm maior risco de alterações no crescimento fetal. O CF ajuda a monitorar esses casos.
Diagnóstico de condições genéticas
Em casos de suspeita de anomalias esqueléticas, o CF é avaliado em conjunto com outros parâmetros, como a circunferência abdominal e o diâmetro biparietal, para estabelecer o diagnóstico.
Limitações do Comprimento do Fêmur
Embora o CF seja um parâmetro confiável, ele apresenta algumas limitações:
Dependência da qualidade da imagem: A precisão da medição depende de uma visualização clara do fêmur fetal.
Variações populacionais: As tabelas de referência podem não ser adequadas para todas as populações.
Alterações esqueléticas focais: Em algumas condições, como fraturas ou malformações específicas, o CF pode não refletir o crescimento geral do feto.
Avanços tecnológicos na avaliação do CF
Com o avanço das tecnologias de imagem, novas ferramentas têm melhorado a medição do CF, incluindo:
Ultrassonografia tridimensional (3D): Proporciona maior precisão em casos de suspeitas de anomalias esqueléticas.
Inteligência artificial (IA): Algoritmos modernos podem integrar o CF com outros dados para melhorar a estimativa do peso e da idade gestacional.
O comprimento do fêmur (CF) é uma ferramenta indispensável na prática obstétrica, auxiliando no monitoramento do crescimento fetal, na estimativa da idade gestacional e no diagnóstico de condições esqueléticas.
Apesar de suas limitações, ele continua sendo um dos parâmetros ultrassonográficos mais confiáveis e amplamente utilizados.
O que significa fêmur curto no ultrassom?
“Fêmur curto” significa que o comprimento do fêmur fetal está abaixo do esperado para a idade gestacional, geralmente abaixo de determinado percentil ou escore-z.
O achado pode ser:
Isolado: quando não há outras alterações anatômicas, biométricas ou de crescimento;
Associado: quando há outras alterações fetais, como crescimento restrito, malformações, alterações ósseas, marcadores de aneuploidia ou Doppler alterado.
Essa diferença é fundamental. Um fêmur curto isolado costuma ter uma interpretação menos preocupante do que um fêmur curto associado a outras alterações.
A SMFM define marcador isolado como aquele encontrado sem anomalia estrutural, sem restrição de crescimento e sem outros marcadores após ultrassom obstétrico detalhado. Em casos de fêmur ou úmero encurtado isolado, a SMFM recomenda ultrassom no terceiro trimestre para reavaliação e crescimento.
Fêmur curto é sinal de síndrome de Down?
Pode ser um marcador menor, mas não é diagnóstico.
O fêmur curto já foi estudado como marcador ultrassonográfico para aneuploidias, especialmente no segundo trimestre. Porém, com a evolução dos testes de rastreio, como DNA fetal livre no sangue materno e rastreamento combinado, a interpretação mudou bastante.
Segundo a SMFM, quando há marcador isolado, como fêmur ou úmero curto, e o rastreio sérico ou DNA fetal é negativo, não se recomenda teste diagnóstico invasivo apenas por esse achado. Quando não houve rastreio prévio, a recomendação é aconselhamento e discussão de opções de rastreamento não invasivo.
Portanto, fêmur curto não significa automaticamente síndrome de Down. A interpretação depende de:
Idade gestacional;
Grau de encurtamento;
Presença de outros marcadores;
Presença de malformações;
Resultado de rastreamento genético;
História familiar;
Avaliação de crescimento fetal.
Quando o fêmur curto preocupa mais?
O achado merece maior atenção quando há:
Fêmur abaixo do P5;
Encurtamento progressivo em exames seriados;
Desproporção importante entre membros e tronco;
Outros ossos longos também encurtados;
Tórax fetal pequeno;
Alterações na mineralização óssea;
Fraturas ou curvatura dos ossos;
Polidrâmnio;
Crescimento fetal restrito;
Circunferência abdominal baixa;
Doppler alterado;
Malformações associadas;
Marcadores ultrassonográficos adicionais;
História familiar de displasia esquelética ou baixa estatura desproporcional.
Nessas situações, a conduta pode incluir ultrassom morfológico detalhado, avaliação dos demais ossos longos, Doppler, ecocardiografia fetal, rastreamento genético ou encaminhamento para medicina fetal.
Fêmur curto pode ser apenas bebê pequeno?
Sim. Em muitos casos, um fêmur abaixo da média reflete apenas um bebê constitucionalmente menor ou uma variação familiar.
Esse cenário é mais provável quando:
O bebê tem as demais medidas proporcionais;
O peso fetal estimado está adequado;
A circunferência abdominal está normal;
O líquido amniótico está normal;
O Doppler está normal;
Não há malformações;
Não há outros marcadores;
Os pais têm baixa estatura;
A datação da gestação é confiável.
Mesmo assim, quando o fêmur está abaixo do esperado, o ideal é avaliar crescimento em exame seriado, principalmente no terceiro trimestre.
Comprimento do fêmur e peso fetal estimado
O CF é uma das variáveis usadas em fórmulas de peso fetal estimado. Em geral, a estimativa de peso pode combinar medidas como:
Circunferência abdominal;
Circunferência cefálica;
Diâmetro biparietal;
Comprimento do fêmur.
O INTERGROWTH-21st informa que suas tabelas de peso fetal estimado foram atualizadas em 2020 para usar fórmula de Hadlock com três parâmetros: circunferência abdominal, circunferência cefálica e comprimento do fêmur.
Ainda assim, é importante lembrar que o peso fetal estimado tem margem de erro. A ISUOG destaca que a estimativa de peso fetal pode ter erros comuns na faixa de 10% a 15%, especialmente em fetos pequenos ou grandes.
Comprimento do fêmur e restrição de crescimento fetal
O CF pode contribuir para suspeitar de alteração de crescimento, mas restrição de crescimento fetal não deve ser diagnosticada apenas pelo comprimento do fêmur.
A avaliação deve considerar principalmente:
Circunferência abdominal;
Peso fetal estimado;
Velocidade de crescimento;
Doppler de artéria umbilical;
Doppler cerebral e relação cerebroplacentária, quando indicado;
Líquido amniótico;
Condições maternas e placentárias.
A ISUOG descreve que fetos pequenos para a idade gestacional geralmente têm parâmetros biométricos ou peso fetal estimado entre faixas específicas, e que a restrição de crescimento deve ser avaliada com critérios que envolvem circunferência abdominal, peso fetal estimado, Doppler e evolução em exames seriados.
Comprimento do fêmur e displasias esqueléticas
Quando o fêmur é muito curto, especialmente se há encurtamento de outros ossos longos, tórax pequeno, alterações de mineralização ou fraturas, deve-se considerar a possibilidade de displasia esquelética.
Sinais de alerta incluem:
Fêmur muito abaixo do esperado;
Úmero, rádio, ulna, tíbia ou fíbula também encurtados;
Desproporção corporal;
Tórax estreito;
Ossos arqueados;
Fraturas;
Mineralização óssea reduzida;
Macrocefalia relativa;
Polidrâmnio;
Letalidade suspeita em formas graves.
Nesses casos, o acompanhamento deve ser feito por equipe especializada, com medicina fetal, genética médica e neonatologia.
O que fazer quando o comprimento do fêmur está abaixo do esperado?
A conduta depende do grau de alteração e do contexto do exame.
Um roteiro prático inclui:
1. Confirmar a idade gestacional
Antes de interpretar o CF, é essencial saber se a gestação foi bem datada. A melhor datação costuma vir do ultrassom de primeiro trimestre.
2. Revisar a técnica da medida
Verificar se o fêmur foi medido no plano correto, sem incluir epífise ou artefatos. A qualidade da imagem pode mudar a interpretação.
3. Comparar com outras medidas
Avaliar se o fêmur está isoladamente curto ou se há redução proporcional de todas as medidas.
4. Avaliar o percentil
O valor absoluto em milímetros é menos útil do que o percentil para a idade gestacional.
5. Procurar outras alterações
Investigar malformações, outros marcadores, alterações ósseas, líquido amniótico e Doppler.
6. Considerar exame seriado
Um novo ultrassom após intervalo adequado pode mostrar se o crescimento está preservado ou se há queda progressiva de percentis.
7. Encaminhar para medicina fetal quando indicado
Principalmente em casos de fêmur muito curto, alterações associadas, suspeita de restrição de crescimento ou displasia esquelética.
Erros comuns na interpretação do comprimento do fêmur
“O fêmur está pequeno, então o bebê tem alguma má formação”
Não necessariamente. Pode ser variação normal, biotipo familiar ou diferença da curva usada.
“O fêmur determina sozinho o tamanho do bebê”
Não. O tamanho e o peso fetal dependem de múltiplas medidas.
“Um exame isolado define restrição de crescimento”
Geralmente não. Crescimento fetal exige avaliação seriada e correlação com outras medidas.
“Fêmur curto significa síndrome de Down”
Não. Pode ser marcador menor, mas não fecha diagnóstico. O risco depende do contexto e dos testes de rastreamento.
“Depois de 24 semanas posso redatar a gestação pelo fêmur”
Em geral, não. Após 24 semanas, a biometria deve ser usada para avaliar tamanho e crescimento, não para redefinir idade gestacional.
Checklist para interpretar o CF no laudo
Ao ver o comprimento do fêmur no ultrassom, observe:
✅ Qual é a idade gestacional?
✅ A gestação foi datada por ultrassom precoce?
✅ Qual é o valor do CF em milímetros?
✅ Qual é o percentil do CF?
✅ O CF está proporcional às demais medidas?
✅ A circunferência abdominal está normal?
✅ O peso fetal estimado está adequado?
✅ Há outros ossos longos encurtados?
✅ Há malformações ou marcadores associados?
✅ O líquido amniótico está normal?
✅ O Doppler está normal?
✅ Há necessidade de repetir ultrassom no terceiro trimestre?
✅ Há indicação de encaminhamento para medicina fetal?
Resumo prático para médicos e estudantes
O comprimento do fêmur fetal é uma das principais medidas da biometria obstétrica. Ele ajuda na avaliação do crescimento fetal, participa de fórmulas de peso fetal estimado e pode contribuir para a estimativa da idade gestacional em cenários específicos.
A medida deve ser feita no maior eixo da diáfise femoral, com as extremidades ossificadas bem visíveis e sem incluir epífises ou artefatos. A interpretação deve considerar percentis, idade gestacional confiável, outras medidas biométricas e contexto clínico.
Fêmur curto isolado nem sempre indica doença. Pode representar variação constitucional. Porém, quando o encurtamento é importante, progressivo ou associado a outras alterações, deve-se investigar restrição de crescimento fetal, aneuploidias, displasias esqueléticas e outras condições fetais.
Perguntas frequentes sobre comprimento do fêmur fetal
O que é CF no ultrassom?
CF significa comprimento do fêmur. É a medida do osso da coxa do bebê, usada na biometria fetal.
O comprimento do fêmur mostra o tamanho do bebê?
Não exatamente. Ele ajuda a avaliar crescimento e entra em fórmulas de peso fetal, mas não representa sozinho o tamanho total do bebê.
Qual o valor normal do comprimento do fêmur fetal?
O valor normal depende da idade gestacional e da curva usada. Por isso, o ideal é avaliar o percentil, e não apenas o número em milímetros.
Fêmur curto no ultrassom é grave?
Depende. Pode ser apenas variação constitucional, mas também pode estar associado a restrição de crescimento fetal, aneuploidias ou displasias esqueléticas, principalmente quando há outras alterações.
Fêmur curto significa síndrome de Down?
Não. Fêmur curto pode ser marcador menor, mas não diagnostica síndrome de Down. A interpretação depende do rastreio genético e dos demais achados ultrassonográficos.
Quando devo me preocupar com o comprimento do fêmur?
A preocupação aumenta quando o fêmur está muito abaixo do esperado, quando há queda progressiva de percentis, quando outros ossos longos também estão curtos ou quando há malformações, Doppler alterado ou crescimento fetal restrito.
O que fazer se o fêmur está abaixo do percentil?
O primeiro passo é confirmar a idade gestacional, revisar a técnica da medida e comparar com as demais medidas fetais. Dependendo do caso, pode ser indicado repetir o ultrassom, avaliar Doppler, fazer morfológico detalhado ou encaminhar para medicina fetal.
O comprimento do fêmur pode errar?
Sim. A medida depende da qualidade da imagem, posição fetal, técnica do examinador e curva de referência utilizada.
O comprimento do fêmur fetal é uma medida fundamental no ultrassom obstétrico, mas sua interpretação exige contexto. Mais importante do que olhar apenas o valor em milímetros é avaliar o percentil, a idade gestacional, a proporcionalidade com as demais medidas e a evolução do crescimento fetal.
Na maioria das vezes, pequenas variações do CF não significam doença. Porém, quando o fêmur está muito curto, especialmente se houver outras alterações fetais, é necessário investigar causas como restrição de crescimento fetal, aneuploidias, displasias esqueléticas e síndromes genéticas.
Para médicos e estudantes, a regra prática é simples: não interprete o comprimento do fêmur isoladamente. Ele deve ser analisado junto da biometria completa, da morfologia fetal, do Doppler, da história clínica e, quando necessário, da avaliação por medicina fetal.




